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O "bom ladrão", fé autêntica aos pés da cruz


Uma das mais impressionantes passagens do Evangelho é a do "bom ladrão", que nos escritos apócrifos tem o nome de Dimas. Relatada na íntegra apenas no Evangelho de São Lucas, Cristo foi crucificado entre dois homens condenados por crimes. Nas horas finais do suplício um deles o insultava e provocava - quase como o demônio havia feito com Jesus no deserto – incitando Jesus para usar do Seu poder, afim de livrar-Se e também livrar os condenados da pena.

O outro condenado interveio advertindo o provocador, dando-lhe testemunho de fé, acreditando ser aquele que lhes dava a honra de estar junto no mesmo suplício o próprio Messias, Filho de Deus. Ainda, em um ato de contrição, reconheceu a justiça da pena que lhe fora imposta, decorrente dos seus atos criminosos, à sua verdade pessoal. E, finalmente, cheio de fé como um verdadeiro "louco diante dos homens" suplicou a Jesus misericórdia e a vida eterna, como que se colocando a seus pés na Cruz. Tudo isto acontecendo com os três homens crucificados, pendurados, expostos às pessoas que acompanhavam a execução, aguardando as suas mortes.

Quando nos percebemos "carregando uma cruz", ou passando por algum desafio aparentemente superior às nossas capacidades, temos que tomar o cuidado de perceber a nossa atitude. Se estamos espiritualmente fortalecidos, conseguimos ser como Dimas, aceitando a realidade, buscando a misericórdia, nos sentindo acompanhados por Jesus – crucificados com Jesus (Rm). Assim nossa fé se fortalece, e reagimos com lucidez e autenticidade. Se estamos perturbados espiritualmente, a nossa autopercepção se obscurece e a nossa atitude fica sujeita às nossas turbulências emocionais. Perdemos o senso de realidade e projetamos o problema e a sua solução para o "lado de fora", como o ladrão que insultava Jesus.

Em Dimas nós temos o extremo da fé, pois sua situação real era o desafio máximo, o qual não tinha mais alternativa de solução neste mundo, estava crucificado. O importante aspecto desta passagem é o valor existencial do autoconhecimento (exame de consciência), e do reconhecimento da história pessoal e dos seus efeitos, como inspiração para a mudança de nosso destino espiritual. Mesmo a poucas horas da morte já certeira.

A nossa Salvação, a nossa Redenção, está garantida por Jesus, que, Se oferecendo como sacrifício, tornou-nos livres do pecado original. Mas o acesso a esta garantia depende de uma entrega total, que vem de uma decisão pessoal, a decisão de crer e professar que Jesus é o nosso Senhor e Salvador. Todas as nossas potências, intelecto, emoções, sentimentos, espírito e intenções têm que crer, têm que ser inundadas pela nossa fé.

Na Carta aos Romanos Paulo diz que "a fé nasce do que se ouve (da pregação)". O filósofo grego Sócrates ensinava que "uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida". Nestas duas sabedorias, encontramos a conduta simples e verdadeira de Dimas. Mesmo condenado teve fé e, como um verdadeiro mestre, foi capaz de meditar e revisar todos os atos da sua vida a poucas horas da morte. Abriu-se de corpo e alma à sua verdade pessoal, em uma atitude de fé autêntica diante de Jesus, A Verdade, aos pés da Cruz.

(Marcelo Correa Paes)
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