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Antioquia
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Leia do escritor
Inácio o Teóforo:
  
Renovai-vos pela fé que é a Carne do Senhor e pela caridade que é o Seu Sangue
  
Desejo precaver-vos como a filhos meus muito caros
  
Sou trigo de Deus e serei moído pelos dentes das feras
  
Um só bispo com o presbitério e os diáconos
  
Na concórdia da unidade
  
Tende fé em Cristo e caridade
  
Cristo chamou-nos para Seu reino glorioso
  
Não quero agradar aos homens, mas a Deus
  SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA

No centro do Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão uiva de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos entre os pagãos esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso.

Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome de Cristo.

Foi graças a Inácio que as palavras cristianismo e Igreja Católica surgiram. Era o início dos tempos que mudaram o mundo e ele cresceu entre a primeira geração de cristãos, os apóstolos.

Educado entre eles, foi o sucessor de Pedro no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada uma das cidades mais importantes do Império Romano, depois de Roma. Gostava de ser chamado Inácio Nurono.

Inácio deriva de ignis, fogo, e Nurono era um nome que ele mesmo deu a si, significa o portador de Deus. Assim se viu a vida toda, o portador de Deus que incendiava a fé.

Mas sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o tradicional Coliseu.

Mas a viagem de Inácio acorrentado, de Antioquia até Roma, por terra e mar, foi o apogeu de sua vida e de sua fé. Feliz por poder se consumir em nome do Salvador dos homens, pregou por todos os lugares onde passou.

Sua prisão e condenação à morte atraíram todos os bispos, clérigos e cristãos em geral, de todas as terras que atravessou. Multidões juntavam-se para ouvir suas palavras.

Durante a viagem final, escreveu sete cartas que figuram entre os escritos mais importantes da Igreja, todas fazendo profissão de sua fé e contendo ensinamentos e orientações que até hoje são adotados e seguidos pelos católicos, como ele nos definiu.

Numa dessas cartas estava o pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja torturado pelos dentes dos leões para me tornar um pão digno de Cristo".

Sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador, pedia encarecidamente que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar sua religião.

Em Roma, uma festa que duraria cento e vinte dias tinha prosseguimento. Mais de dez mil gladiadores dariam sua vida como diversão popular naquela comemoração pela vitória em uma batalha. Chegada a vez de Inácio, seus seguidores e discípulos esperavam ainda o milagre.

Mas este não viria, mesmo porque assim desejava o santo mártir. Era o dia 20 de dezembro do ano 110 e sua trajetória acabava de entrar para a história.

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